Guia · Segurança
O que é o FGC e como funciona a garantia de R$ 250 mil
É o mecanismo que faz um CDB de banco pequeno ser tão seguro quanto um de banco grande — dentro de um limite. Entender esse limite é o que separa "protegido" de "exposto".
O FGC — Fundo Garantidor de Créditos — é uma entidade privada, mantida pelos próprios bancos, que devolve o dinheiro dos investidores quando uma instituição financeira quebra. É ele que permite a um banco digital pequeno oferecer um CDB atraente sem que você precise confiar na saúde daquele banco especificamente: dentro do limite coberto, quem garante o pagamento é o fundo, não o banco.
O tema deixou de ser abstrato recentemente. Com a liquidação do Banco Master no início de 2026, o FGC foi acionado no maior ressarcimento da sua história, e milhares de investidores descobriram na prática o que o limite significa — inclusive os que estavam acima dele.
Os dois limites que você precisa saber
A cobertura do FGC tem duas camadas, e ignorar a segunda é o erro mais comum:
1. R$ 250 mil por CPF, por instituição. Esse é o limite que todo mundo conhece. Ele inclui principal mais rendimento. Se você tem R$ 240 mil que renderam e viraram R$ 260 mil quando o banco quebrou, os R$ 10 mil acima do teto não são cobertos.
2. R$ 1 milhão por CPF a cada 4 anos. Este é o limite global, e pega muita gente de surpresa. Mesmo espalhando dinheiro por vários bancos, a soma que o FGC devolve a você é limitada a R$ 1 milhão em uma janela de quatro anos. Se dois bancos onde você tinha R$ 250 mil cada quebram no mesmo período, você recebe; mas a franquia de proteção vai se esgotando.
O limite por instituição vale por conglomerado financeiro, não por marca. Dois bancos do mesmo grupo contam como um só para o teto — vale checar se as instituições onde você investe pertencem ao mesmo conglomerado antes de assumir que dividiu o risco.
O que o FGC cobre
Estão protegidos, dentro dos limites acima:
• Depósitos em conta corrente e poupança
• CDB e RDB
• LCI e LCA
• Letras de câmbio e letras hipotecárias
Repare que a poupança também é coberta pelo FGC — o que derruba um dos argumentos mais usados a seu favor, o de ser "mais segura". Em termos de garantia, ela empata com um CDB do mesmo banco, e costuma render bem menos, como mostra o comparativo da poupança.
O que o FGC NÃO cobre
Esta lista é tão importante quanto a anterior, porque a falsa sensação de proteção é o risco real:
• Tesouro Direto — não precisa: a garantia é do governo federal, superior ao FGC e sem teto.
• CRI, CRA e debêntures — a taxa maior que oferecem é a remuneração desse risco a mais.
• Fundos de investimento — o patrimônio do fundo é separado do banco, com regras próprias.
• Ações, FIIs, ETFs e criptomoedas — renda variável não tem garantia nenhuma.
• Previdência privada — segue regras específicas, fora do FGC.
Ou seja: quando um CRI paga bem mais que um CDB, parte dessa diferença é justamente o preço de não ter FGC. Não é dinheiro grátis.
Como usar o FGC a seu favor
Respeite os R$ 250 mil, com folga para o rendimento. Se pretende deixar o dinheiro render por anos no mesmo banco, comece abaixo do teto para que principal mais juros não o ultrapassem. Aplicar exatos R$ 250 mil significa que todo o rendimento futuro fica desprotegido.
Divida entre conglomerados diferentes. Para valores maiores, distribuir R$ 250 mil em cada instituição multiplica a cobertura — respeitando o teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos. Confirme que são conglomerados distintos, não marcas do mesmo grupo.
Acima de R$ 1 milhão, pense no Tesouro. Passado o limite global, a lógica de espalhar entre bancos perde força. O Tesouro Direto oferece segurança sem teto e é o destino natural de patrimônios maiores que priorizam proteção.
Não troque análise por FGC. A garantia existe para o improvável, não para justificar ignorar a solidez de quem emite o título. O ressarcimento leva tempo e consome sua franquia de proteção. Um banco sólido continua sendo preferível a um banco frágil com a mesma taxa.
Quanto tempo leva para receber
Não é instantâneo. Após a liquidação decretada pelo Banco Central, o FGC organiza o pagamento aos investidores elegíveis, o que costuma levar de algumas semanas a alguns meses, dependendo do tamanho e da complexidade do caso.
A consequência prática: o FGC protege o seu patrimônio, mas não a sua liquidez imediata. Por isso ele não substitui uma reserva de emergência — se o banco onde está a sua reserva quebra, você pode ficar semanas sem acesso ao dinheiro justamente quando mais precisa. Mais uma razão para a reserva estar em Tesouro Selic ou dividida.